COMO VAI SER O RUGBY SEVENS NAS ILHAS FIJI?

UM POUCO POR TODO O LADO A QUESTÃO DOS SEVENS está cada dia mais sobre a mesa, e estimula-se a emissão de opiniões, para que possam ser elaborados os planos mais adequados a cada situação.

Claro está que não basta ouvir o que as pessoas dizem: mais importante que isso é ter em consideração e analisar aquelas opiniões com o objetivo de encontrar as melhores soluções, que geralmente não condizem com as idéias originais, antes são reflexo das diversas correntes e sugestões.

Ouvir o que as pessoas têm para dizer e fazer apenas o que já estava pensado, sem ter as opiniões em conta, além de ser “falsidade ideológica” é fazer das pessoas meros idiotas.

O jornalista da Fiji Times, Percy Keane, entre outros, foi convidado pela Fiji Rugby Union para expor algumas relexões quanto à elaboração de um plano para melhorar os padrões da equipa nacional de sevens, e deixamos aqui o seu comentário.

PERCY KEANE

Na busca por  um melhor desempenho nas Séries Mundiais da IRB, a Fiji Rugby Union convidou especialistas e a mim próprio para ser parte de uma equipa de análise dos Sevens.
Fomos convidados a fazer observações que a FRU poderá levar em consideração e implementará como lhe aprouver.
Esta é uma boa jogada da FRU, uma vez que significa reunir algumas cabeças e fazer um brainstorming para encontra as soluções para os males dos nossos Sevens.

Vamos listar abaixo alguns pensamentos por ordem de mérito:

1. Talentos naturais
Quais são os talentos naturais dos jogadores de Rugby das Ilhas Fiji? Corrida, manipulação de bola e capacidade de “reação” (a capacidade de fazer o impossível ou inimaginável).
Com isso em mente, o próximo passo é ter em consideração que estas são habilidades inatas, não ensinadas, e por isso devemos arranjar planos para as utilizar ao máximo.

2. Plano de jogo
Um plano deve ser elaborado considerando como a equipa pode ter um sistema vencedor tendo em conta Talento e Tamanho.
A FRU deve a partir de agora considerar seriamente o tamanho dos jogadores quando se pensa em Seleção Nacional.
Esta é uma grande mudança nos Sevens de hoje em comparação com o que era nos anos 70 e 80.
O jogo é mais físico, quase como o XV, com mais ênfase no ataque.

O Tamanho também pode desenvolver um jogo mental.

Apenas a visão dos jogadores das Fiji antes de um jogo, pode abalar a preparação mental da oposição.
Os jogadores podem tirar vantagem desse jogo mental (intimidação), batendo duro em cada placagem.

Para conseguir isso, logo no primeiro jogo deve mandar uma mensagem para as outras equipas que irão defrontar as Fiji no Torneio.
Por isso, placar e entrar no contacto estão ligados ao tamanho.

A Tomada de Decisão no campo é um dos mais importantes fatores na vitória.
Ela deve começar com o próprio capitão.O plano de jogo pode mudar em campo dependendo de como a oposição joga.
Além do capitão ditando as regras, cada jogador também deve ser capaz de ver e avaliar uma situação e reagir rapidamente.
Assim, a seleção da equipe deve analisar igualmente a formação educacional dos jogadores.

Isto porque, em Sevens tudo acontece muito rápido e dura muito pouco.

A Condição Física e o Ritmo foram elevados a um novo nível.
Um programa de treino deve ser elaborado para coincidir com este desenvolvimento.
Os exercícios devem primeiro considerar o jogo de Sevens, em oposição ao jogo de XV e reconhecer as características fundamentais do jogo abreviado.
Resistência, velocidade, dureza na placagem, etc, o programa de formação deve ser desenvolvida para desenvolver ao máximo estas áreas.

O falecido Irmão Theophane disse uma noite ao treinador Pio Bosco Tikoisuva que o tipo de treino que deve ser aplicado, se baseia em sprints curtos, com uma rápida reviravolta.
5m e para trás, 10m e para trás, 15m e para trás, 20m e para trás.

Treine como você joga.

A ênfase não está apenas no sprint, mas também na volta, porque esta é a forma como o jogo é jogado.
Ao ser placado, levantar-se rapidamente e continuar, e não perder tempo a pôr-se em pé.

3. Seleção de Capitão
Esta é uma questão muito importante, que temo não tenha sido devidamente considerada no passado.
Escolher a pessoa certa para ser o capitão tem um papel importante no desempenho da equipe em dois sentidos.
A primeira consideração deve ser se ele pode conquistar o respeito dos jogadores.
A segunda, se ele tem a capacidade de tomar decisões.
A actual tendência na escolha do Capitão da Seleção é quão bom jogador ele é.
Esta, juntamente com as outras duas fazem um capitão perfeito, mas esta menos as outras duas não vai funcionar.
Outro elemento importante relacionado com isto é o anúncio do Capitão.
Definitivamente não deve ser feita uma ou duas horas antes do jogo.
O Capitão deverá iniciar o seu trabalho durante o tempo de preparação da equipa.

Ele deve ser incentivado a falar com os restantes jogadores quando a oportunidade surge e durante as reuniões da equipa.
Ele deve ser autorizado e incentivado a falar com os jogadores.
Afinal de contas, será a sua voz que os jogadores vão ouvir no campo.
Eles devem acostumar-se a ouvir a sua voz, a pressão sobre o campo é de tal ordem que eles devem ser capazes de reconhecer sua voz num instante.

4. Unidade/Ligação/Disciplina da equipa deve ser uma constante
Para que isso aconteça, disciplina na medida certa deve ser a primeira coisa a pôr em prática.
Outras iniciativas devem ser imaginadas para reforçar a ligação entre os jogadores, etc

5. Fiji no coração
Deve haver uma maneira para que os selecionadores possam detectar o desejo dos jogadores em se sacrificarem para jogarem pela equipa nacional, e não apenas nos 7’s.

Eles devem ter orgulho de jogar pelo seu país.

O resto são apenas recompensas, como subsídios, visitas a outros países, a exposição nos mídia, o fornecimento de equipamentos, etc.

Se for o contrário, então a  FRU nunca terá uma equipa suficientemente boa para ganhar.
6. Séries Nacionais de Sevens
No início de 2000 as Séries Coloniais foram uma tremenda ajuda no sucesso da equipe nacional.
O nível de concorrência e freqüência permitiu que os jogadores realmente expusessem os seus talentos e aos selecionadores que escolhessem os melhores para a equipa.

7. Contrato
Eu não sou um grande apoiante dos jogadores contratados.
Isso deve depender das razões dos jogadores para quererem jogar na equipa nacional.

Se essa razão for o contrato, então ele não irá esforçar-se ao máximo, porque ele já atingiu o seu objetivo.
Como eu disse acima, o contrato deve ser uma recompensa, não um incentivo.

O incentivo é apenas jogar pelo país.

VOLTAR A PÁGINA INICIAL

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: