O VALOR DAS PALAVRAS

COMO É DO CONHECIMENTO GERAL, O RUGBY PORTUGUÊS foi abalado este ano com a polémica questão da falta de comparência atribuída pela FPR ao Vitória de Setúbal, pela utilização de jogadores não inscritos, num jogo com a Lousã.

Poupando embora as pessoas à descrição do que então se passou, relembro apenas que aquela questão despoletou uma outra, mais abrangente, que dizia respeito ao Regulamento Geral de Competições e à necessidade da sua revisão.

Tal trabalho foi levado a cabo pela direção federativa, e finalmente, em 7 do corrente, foi publicada a nova versão do dito Regulamento.

E foi com enorme surpresa que verifiquei que afinal, uma equipa que dispute um jogo com jogadores não inscritos na FPR, não será punida com falta de comparência.

E maior foi a minha surpresa quanto no projeto de Regulamento publicado em 30 de Abril, tal punição era expressa e acabava por passar para o papel a decisão que fora tomada – e bem – pela direção federativa quando puniu o Setúbal com a tal falta de comparência.

Mas na versão final do RGC o castigo com falta de comparência deixa de abranger essas situações.

Não sou jurista, nem doutor nem engenheiro, antes apenas um simples curioso que gosta de meter o nariz nas coisas que lhe interessam, por muito que isso deixe incomodados alguns dirigentes federativos, e nesta questão confesso que, mais uma vez, não compreendo a atitude da direção federativa.

Mas eu explico: através da circular 29 – 2009/10 de 9 de Abril, a Direção da FPR pune com falta de comparência o Setúbal, por ter utilizado jogadores que, à data em que o jogo se deveria ter realizado, não se encontravam inscritos na federação.

Em 30 de Abril, no projeto de RGC, o texto do artº 16º (Faltas de Comparência) dizia expressamente:

1. Será considerada como sofrendo falta de comparência num determinado jogo, toda a equipa que:

….

Apresente um ou mais jogadores não inscrito, suspenso ou usando de falsa identidade;

Mas em 7 de Junho, no texto final que agora está em vigor, a expressão não inscrito foi retirada, e aquela atitude deixou de ser objeto de sanção no referido Regulamento, e o texto passou a dizer apenas:

Apresente um ou mais jogadores, suspenso ou usando de falsa identidade;

Mas o mistério não fica por aqui, já que nos novos regulamentos da Divisão de Honra/1ª Divisão e da 2ª Divisão, aquela utilização de jogadores não inscritos, volta a ser considerada, e a equipa que os utilizar sofrerá uma dedução de pontos na tabela classificativa, mas nunca é punida com falta de comparência, como que a dizer que “não se deve fazer, mas não é tão grave como isso, e pedimos desculpa ao Vitória pela falta de comparência que lhe foi aplicada…”

Ou seja, a Direção da FPR puniu um clube com uma falta de comparência, mas no mais importante documento publicado depois disso, que na prática é a “bíblia ” da nossa prática desportiva, e onde a Direção federativa tinha a oportunidade de marcar a sua intransigente defesa dos princípios éticos, como fez em Abril, simplesmente tudo foi esquecido.

Claro que tudo isto deve ter uma explicação simples e de fácil compreensão, e eu, que sou uma pessoa que opina sobre o que sabe e sobre o que nao sabe, desta vez não vou opinar, antes vou ficar a aguardar que alguém, mais conhecedor, tenha a gentileza de vir a público dar uma satisfação pela evaporação daquela simples expressão…

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