A FALTA DE COMPARÊNCIA

A PROPÓSITO DO POST PUBLICADO ONTEM sobre a questão da não punição em sede do Regulamento Geral de Competições, das equipas que apresentem em campo jogadores não inscritos na Federação, recebi um esclarecimento que não posso deixar de publicar.

E faço-o não apenas pela oportunidade do assunto, como para que fique bem claro que nada me move contra a Federação, este ou aquele dirigente da mesma, mas que, acima de tudo e de todos está o meu interesse e preocupação pelo destino do rugby português.

Aqueles que leram o meu post anterior, sabem que referi com surpresa a versão final do RGC, de onde foi retirada a referência aos tais jogadores não inscritos, e aqui fica a resposta que recebi sobre o assunto:

A alteração da punição por jogadores não inscritos foi fruto de sugestões de Clubes e que nós aceitámos. A razão é a seguinte : como uma falta de comparência acarreta a eliminação na prova ( Honra e 1Div. ) uma eventual falha na inscrição de um jogador era demasiado penalisante. Por isso foi eliminada e substituída pela aplicação de 2 pontos de classificação negativos ( ideia retirada de situações semelhantes noutros países ).

Apesar de compreender as razões da referida retirada, estou inteiramente  em desacordo com elas, não só pelos motivos anteriormente referidos – e que ficam aqui reafirmados – como ainda por uma questão formal e de princípio, que em nada impedia que os efeitos daquela transgrssão fossem moderados de acordo com a importância que cada competição lhe pretendesse atribuir.

Na verdade, e já que uma eventual desclassificação em virtude de faltas de comparência não é estabelecida no RGC, que expressamente transfere essa responsabilidade para os regulamentos específicos de cada competição – RGC, Artº 10º-1 – a retirada daquela expressão – não inscritos – apenas se pode atribuir a uma intenção objectiva de retirar gravidade àquela infração, face às outras que se mantiveram no texto, como por exemplo a equipa jogar com jogadores suspensos.

E se se pretende prevenir a questão das inscrições incorretas, então é simples, basta estabelecer punições diferentes para situações diferentes – jogador não inscrito/jogador mal inscrito.

Agora pretender argumentar que “coitadinhos dos clubes, enganaram-se na utilização de um jogador não inscrito, julgando que estava inscrito e por isso não deve ser punido com falta de comparência”, parece-me um erro de palmatória.

Acresce a esta situação, uma outra muito grave e complicada: e se um desses jogadores não inscritos sofrer um acidente grave, como ficamos em termos de assistência e de responsabilidade civil sobre o acontecido?

Um jogador suspenso, que tenha sido utilizado, pode continuar a usufruir de assistência médica e do seu seguro, mas isso já não acontece com um jogador não inscrito… Ou não será assim?

Podem acreditar que se uma situação dessas acontecesse com um filho meu, eu iria pedir responsabilidades ao clube que o escalou para o jogo e autorizou a representá-lo, ao capitão da equipa que permitiu que ele entrasse em campo, ao árbitro que não verifcou a regularidade da apresentação do jogador, à Federação que deixou omissa a penalização de uma infração desta natureza e ao seu Presidente como responsável máximo pelo funcionamento do organismo que gere o desenvolvimento da actividade no país!

Finalmente fiquei com curiosidade de saber quais foram os clubes que sugeriram a retirada daquela expressão – não inscritos – do texto do Regulamento, mas acho que nunca irei saber…

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