LUXEMBURGO: O MAIOR PIB PER CAPITA NO MUNDO

PORTUGUÊS, NASCEU EM MACAU, ESTUDOU EM COIMBRA E TRABALHA NO LUXEMBURGO, Manuel Gaivão ocupa as suas horas livres – quando não está gatinhando, babado, com os seus dois miúdos de um e três anos – a observar o que se passa no mundo do rugby, a acarinhar a sua imensa coleção de memórias ovais, especialmente filatélicas, e a presentear-nos com algumas delas no seu bem conhecido Join The Maul.

Desta vez, a propósito do Luxemburgo-Israel que se disputa amanhã apitado pelo Pedro Murinelo, resolveu escrever umas linhas para ficarmos com uma pequena ideia de o que é e como é, o Grão-Ducado, que muito gostosamente e com o devido agradecimento, o Mão de Mestre publica agora mesmo.

LUXEMBURGO, UM PEQUENO PAÍS NO CORAÇÃO DA EUROPA

O Luxemburgo, com os seus quase 500.000 habitantes e 2500 km2, é um pequeno país onde tudo se passa na proporção ao seu tamanho.

O rugby, obviamente, não é uma excepção.

Os luxemburgueses têm uma visão do desporto curiosa e saudável: praticam-no para estar em forma e não estão particularmente preocupados com os resultados alcançados.

Daí não ser um país com atletas de renome: nos dias que correm, talvez tenham ouvido falar dos irmãos Schleck, ases do ciclismo mundial.

A realidade oval luxemburguesa está ligada à enorme comunidade estrangeira residente no país.

Se não fossem os ingleses, franceses, australianos, neo-zelandeses e sul-africanos aqui residentes era provável que o rugby ainda não tivesse penetrado em terras do Grão-Duque Henry.

Tudo começou em 1973 com a criação do Rugby Clube do Luxemburgo que é, ainda hoje, o motor do rugby local.

O clube já passou pela 1ª divisão belga, pelos campeonatos franceses (Comité Alsácia-Lorena) e está esta época a disputar a 2ª divisão alemã, onde se encontra num excelente 3º lugar.

Em 1990, o Luxemburgo viu aparecer o Renert Walferdange (as raposas de Walferdange), um clube dos arredores da capital que tem subido e descido entre as 2ª e 3ª divisões belgas.

Este clube agrega também a única equipa feminina do país.

Estas são as duas únicas equipas do país! Jogam uma contra a outra uma vez por ano, quando disputam a Taça do Luxemburgo, invariavelmente vencida pelo RCL.

O ano de 1973 viu também nascer no seio das instituições europeias aqui instaladas (Comissão, Parlamento, Tribunal de Justiça e Tribunal de Contas), a Escola de Rugby do “Círculo Desportivo das Comunidades Europeias”.

As escolas da comunidade têm a responsabilidade de apresentar as selecções nacionais para os escalões de formação.

A consequência lógica desta realidade é que a esmagadora maioria dos jogadores que já  jogaram de “Leão Vermelho” ao peito são estrangeiros.

Segundo a FLR, apenas dois luxemburgueses capitanearam a selecção nacional e um deles trata-se do luso-descendente Zélito Neves dos Santos.

No último jogo disputado pela principal selecção do país a equipa era composta por 9 franceses, 5 ingleses, 3 neozelandeses, 2 escoceses e 1 irlandês.

No fundo, esta situação só reflecte a realidade do país e é uma fonte de riqueza pois a multiculturalidade aproxima-nos uns dos outros.

Membro da FIRA desde 1976 e do IRB desde 1991, o Luxemburgo conseguiu alguns resultados razoáveis (a coroa de glória é um empate contra a Geórgia) e o rugby é a única modalidade colectiva do país a conseguir vencer por 3 vezes um grupo de qualificação internacional (1995, 1997 e 2004).

Actualmente, o Luxemburgo ocupa o penúltimo lugar do ranking IRB (o 94°, a frente da Finlândia – o melhor que conseguiu foi o 67°), posto que não reflecte a realidade, visto existirem vários países onde a modalidade se pratica que não fazem parte deste ranking.

Não podemos, todavia, esconder a realidade: o nível é baixo, se o compararmos com o de Portugal.

E dificilmente poderá ser muito melhor, fruto das circunstâncias: país pequeno, pequeno campo de recrutamento, poucos clubes, desinteresse da população local pela modalidade (quando a selecção nacional joga, o pouco público é composto maioritariamente por estrangeiros).

Existem, em todo o caso, alguns indicadores que permitem pensar que o trabalho de formação não tem sido completamente infrutífero: as equipas jovens do Grão-Ducado conseguem bater-se de igual para igual com as suas congéneres de muitos países maiores que o seu.

Um bom exemplo é a actual equipa de Sub-18: os jovens luxemburgueses venceram a divisão D do Campeonato da Europa da sua categoria disputado no Verão passado na Côte d’Azur.

Quando tudo levava a crer que este ano desceriam de divisão, a equipa conseguiu um surpreendente 5º lugar na Divisão C (equivalente a um 21º lugar europeu), que poderia ter sido melhor já que os luxemburgueses apenas perderam o 1º jogo frente à Hungria (22-11) e venceram os restantes dois (Bulgária e Dinamarca).

Procurei saber que contactos já existiram entre os nossos dois países e apurei que em 2002, a selecção nacional de sub-21 se deslocou ao Luxemburgo, tendo batido a equipa principal do Grão-Ducado por 34-3.

Será que um dia se voltarão a encontrar?

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