COMO ESTÁ A EVOLUÇÃO DO RUGBY EM PORTUGAL? PARTE II (corrigido)

O COMENTÁRIO DO MIGUEL RODRIGUES NO POST ANTERIOR, levanta algumas questões que acho que vale a pena aprofundarmos.

E como considero esta questão do desenvolvimento do Rugby Adulto a peça mais importante do tabuleiro da modalidade em Portugal, resolvi abrir um segundo espaço sobre o mesmo tema, agradecendo o contributo prestado pelo Miguel, e ficando as páginas do Mão de Mestre à disposição para quem quiser colaborar neste levantamento da situação.

Em primeiro lugar quero esclarecer que considerei para o período de 2006-2010, que cada vez que um clube tinha sete ou mais jogadores federados num escalão etário, então ali estava um clube, conforme apresentado no quadro que elaborei.

Para este período utilizei os números oficiais da FPR.

No que respeita ao numero de clubes de 1981, utilizei a Rugby Revista, nº 9 de Outubro de 1981, e aproveito para corrigir o número de 24 clubes, pois na verdade disputaram competições seniores nesse ano 27 equipas seniores, incluindo sete equipas B.

Em relação a 1994 usei a Rugby Magazine nº 4, de Janeiro de 1994, e também tenho que retificar o número final de clubes, já que um desses clubes (N. Lisboa) parece não ter participado em nenhum jogo, nem nesse ano nem em nenhum outro.

Assim o número de clubes em 1994 deve ser 24 e não 25.

Feito este esclarecimento, e reconhecendo embora que as observações do Miguel quanto a eventuais correções que poderiam ser feitas aos números indicados são corretas, elas não alteram substancialmente as conclusões que tirei no respeitante à estagnação – numérica – do nosso Rugby Adulto.

Reparem, se somarmos o número de jogadores seniores com o número de jogadores Sub-21, chegamos à conclusão que o total de jogadores desses dois escalões é praticamente o mesmo desde 2008.

Outra questão levantada pelo Miguel diz respeito à alteração das idades de cada escalão, que continua a ser uma brincadeira que não tem sentido nenhum.

Eu comecei a jogar nos juvenis, onde fiquei por três anos. Subi a junior, e com as mudanças de idade do escalão, já nesse tempo (1969-70), apenas fiquei no escalão um ano.

Mais tarde, como treinador da seleção junior (1978 e 1979) deparei-me com outro escalonamento etário, com a inclusão de jogadores de 19 anos, o que impedia o aparecimento de talentos com idade FIRA, especialmento nos lugares chave, onde todos os clubes apresentavam jogadorees com mais experiência.

Lembro-me por exemplo que no ano de 1979, todos os médios de abertura de todas as equipas tinham 19 anos, não podendo portanto ser selecionados, o que me obrigou a adaptar um jogador de outra posição, para preencher o lugar.

Agora reparo que se continuam a alterar os escalões e as idades – não consigo entender porquê.

Mas voltando aos números, elaborei mais um mapa para alimentar a discussão.

(Quadro corrigido em 10/04/2010, com a mudança do Tondela, indevidamente colocado na região Norte, para a região Centro)

Para preparar este quadro, considerei todos os clubes com equipas senior ou sub-21, independentemente de terem uma só ou duas equipas.

Tentei dar uma imagem dos clubes com actividade senior e/ou sub-21, e não do número de equipas em actividade.

E as conclusões a que chego são verdadeiramente alarmantes.

Reparem, na região Centro temos hoje o mesmo número de clubes com actividade senior (e/ou sub-21) que em 1994, 16 anos atrás!

E na região Norte a situação é semelhante.

Continuo a fazer as mesmas perguntas:

– onde foram parar os milhares de jovens que se iniciaram nos juvenis durante todos estes anos?

– o que se fez para fomentar o aparecimento de novos clubes?

Estou de acordo com o Miguel na necessidade de avançar imediatamente com competições regionais para equipas de clube, e aproveito para afirmar que é por aí, por um lado, e nas escolas secundárias por outro, que os Sevens podem ter um extraordinário papel.

Mas reafirmo o meu acordo com o Miguel Rodrigues: competições regionais para clubes.

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2 Respostas to “COMO ESTÁ A EVOLUÇÃO DO RUGBY EM PORTUGAL? PARTE II (corrigido)”

  1. Eládio Ribeiro Says:

    correcção onde se lê Selecções deveria ler-se Selecções Seniores… que são no fundo as que têm realmente alguma visibilidade…

  2. Eládio Ribeiro Says:

    Caro Manuel devia,a meu ver, considerar nas suas estatisticas os clubes chamados “emergentes” como o foi o Guimarães, pois na realidade são clubes QUE JÁ COMPETEM, ainda que numa prova “semi-oficial” e se o fizer verá que de facto as coisas até estão a evoluir de forma gradual… Aliás penso que essa atitude por parte deses clubes é bem mais responsavel, que a atitude de lançar um clube sem bases de sustentação que resulta num “clube de uma época só” (como infelizmente foi o caso do Lousada ou do Aveiro nas últimas épocas, ou parece ser o destino do Marinhense).

    Neeses exemplos de estruturação planificada pode pôr o Viseu, o Borba, o Abrantes, que se aperceberam da pouca popularidade que o rugby tem e têm feito esforços enormes na sua implementação e divulgação.

    Algumas das razões para a falta de popularidade do rugby nestes meios deve-se à falta de divulgação em canal aberto de jogos e resumos da modalidade, o facto de nas escolas a modalidade não ter o mesmo destaque nas aulas de educação fisica como é o andebol, ou o basket que gozam de 4/5/6 semanas de aulas, enquanto o rugby escolar é dado numa semana (se tanto).

    Outra razão que me parece obvia é o facto de os jogos importantes (ENTENDA-SE SELECÇÕES) serem todos disputados em Lisboa, e se não for feita uma descentralização (que acontece em todas as selecções de quase todos os outros desportos) não se conseguem cativar pessoas para formarem clubes em cidades com muito potencial, tais como Braga, Barcelos, Leiria, Aveiro (de forma definitiva) Viana (a nivel senior), Santo Tirso, Povoa do Varzim/Vila do Conde, Figueira da Foz, entre outras…

    Esta aposta (erradissima) de se manter no conforto de Lisboa ajuda aos clubes de fora da area da capital de se sentirem abandonados e sem vontade de proseguirem a lutar contra a maré… A própria missão de “conquistar” apoios e patrocinios dobra de dificuladade vivendo muitos destes clubes da “PROVINCIA” no limiar da “pobreza financeira”.

    Quanto ao meu clube tudo continuará a fazer para mostrar mérito e evolução para se afirmar como um grande clube e um clube grande…

    ABRAÇOS

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