COMO ESTÁ A EVOLUÇÃO DO RUGBY EM PORTUGAL?

COMO ESTÁ A SAÚDE DO RUGBY EM PORTUGAL, POR BAIXO DO BRILHO das camisolas das quinas, das Academias, das grandes ambições de glória internacional?

Infelizmente está mal.

Nos últimos cinco anos o trabalho levado a cabo na expansão e desenvolvimento do Rugby adulto – se é que se fez alguma coisa nesse sentido – deu resultados muito pouco satisfatórios, mesmo negativos em alguns casos.

Na verdade a cegueira que a presença no Mundial de 2007 provocou nos que detinham a responsabilidade de conduzir os destinos da modalidade, arrastou-nos para uma situação quase catastrófica, que não terá consequências mais gravosas, apenas porque nos escalões juvenis se conseguiu de qualquer forma, capitalizar em número de praticantes, a visibilidade que aquela presença provocou.

Infelizmente não assistimos a nenhum sinal que nos leve a concluir que a política federativa mudou, pelo que continuo hoje a publicação dos números e comentários que fiz anteriormente, na esperança que os clubes compreendam a seriedade da situação, e decidam tomar os destinos do desenvolvimento do Rugby Adulto nas suas mão, exigindo a tomada de medidas urgentes e colaborando activamente na sua implementação.

Se é verdade que não se pode crescer e evoluir sem uma forte aposta no Rugby Juvenil, e no aperfeiçoamento de um grupo mais ou menos restrito, no âmbito da actividade das Seleções, não é menos verdade que sem um conjunto alargado de equipas adultas todo esse trabalho se pode perder.

Reparem nos quadros.

Aqui se pode ver que o crescimento do numero de clubes do Rugby Adulto desde 1980-81, não passou de 33%, (de 24 clubes em 1981 para 32 em 2010) o que é manifestamente pouco, e que houve mesmo uma quebra superior a 10% no último ano.

Os dados mais animadores dizem respeito ao Rugby dos menores de 14 anos, fruto em grande medida do projecto em curso nas AR’s, com o apoio da Nestlé e do Desporto Escolar/DGIDC/ME, que abriu as portas das escolas ao Rugby.

O problema que se põe agora é saber o que fazer com todo esse potencial.

Na minha opinião, se não se criarem mais clubes, se não se melhorarem as condições de administração do Rugby, se não multiplicarmos as infra-estruturas, arriscamos a que todo o trabalho já realizado, seja perdido.

Vejam agora os quadros dos jogadores.

Neste primeiro quadro, pode verificar a percentagem de jogadores, em relação ao total, por escalão etário.

Nele se pode constatar que o número de jogadores seniores, tem vindo a diminuir em percentagem, não chegando hoje aos 20% do total de jogadores.

Finalmente, veja o quadro do crescimento do número de jogadores.

Os valores aqui indicados são sempre em relação ao ano anterior, com excepção da última linha, em azul, que indica o crescimento entre 2005/06 e 2009/10.

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Uma resposta to “COMO ESTÁ A EVOLUÇÃO DO RUGBY EM PORTUGAL?”

  1. Miguel Rodrigues Says:

    Excelente post Manel.

    No entanto, como estás longe, a realidade é um bocado diferente dos números e o primeiro aspecto que não tiveste em consideração é que desde há 2 anos que existe um novo escalão, os sub 20 que hoje são os sub 21, e este pequeno pormenor distorce um pouco a tua análise porque este escalão veio tirar jogadores aos seniores.

    Se tudo fosse igual ao que se passava há 2 anos, todos os jogadores com menos de 20 e 21 anos que jogam nos sub 21 seriam seniores e os seniores também registariam um crescimento.

    Quanto ao número de clubes, nos sub 21 não corresponde à realidade, de facto disputam o CN 7 clubes na divisão principal, mais 2 clubes, portanto existem somente 9 clubes a praticarem rugby de XV. Existem mais uma série de clubes que participam irregularmente em torneios de clubes emergentes, normalmente na variante de sete.

    Se por um lado, a criação de mais um escalão permitiu que uma série de jogadores não passassem logo a seniores baixando a taxa de abandono, pois continuam a poder competir regularmente, por outro lado veio dificultar a vida à maioria dos clubes, que têm de ter mais treinadores, mais disponibilidades de campos para treinos e mais deslocações, o que para uma modalidade que se debate com problemas financeiros e de falta de infra-estruturas é complicado.

    A questão é complicada porque a maioria dos clubes com capacidade de participarem em todos os escalões são da região de Lisboa. CDUP, Évora e Académica são as excepções à regra, num universo onde começam a aparecer vários clubes com potencial fora de Lisboa, mas ainda sem competitividade para se baterem com os clubes acima referidos.

    Este é um problema complexo cuja solução passa por uma organização diferente dos campeonatos, que a meu ver deviam ser parecidos com o que a ARS faz nos escalões jovens, primeiro regionais e numa segunda fase nacionais. Eventualmente, nos nacionais com algumas selecções regionais.

    Desta forma, os atletas seriam poupados a longas deslocações, nalguns casos para efectuarem jogos muito desequilibrados, o que é sempre desmotivador, e os clubes seriam poupados a elevadas despesas com deslocações.

    Abraço,

    Miguel Rodrigues

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