OS CASTELOS DO ESCUDO PORTUGUÊS

REALIZA-SE NA QUINTA FEIRA 25 A ASSEMBLEIA GERAL ordinária da FPR, com o objectivo de proceder à votação do Relatório e Contas referente ao ano de 2009.

Não vou falar da questão das contas, nem tão pouco de um tal inquérito sobre a utilização de verbas pela anterior Direção que se acreditava seria realizado, mas apenas referir um facto simples, singelo e da maior relevância, que se depreende da leitura daquele documento.

Infelizmente, compreende-se a importância do facto, pelo desprezo a que ele foi votado pela Direção chefiada pelo meu amigo Dídio de Aguiar, e que coloca agora o rugby português sem ter para onde se voltar.

Como podem perceber falo de Sevens.

É absolutamente imperdoável que a Federação Portuguesa de Rugby tenha deixado completamente de lado o Rugby Sevens, apesar da conquista de seis títulos de Campeão da Europa e um de vice campeão nos Jogos Mundiais.

Quem analisar as contas e os relatórios da FPR relativos a 2009, vai verificar que apenas se realizou um conjunto de três Torneios no escalão de Sub-14, organizados pela Associação Regional do Norte, Comité Regional de Rugby do Centro e Associação Regional do Sul, um no escalão Sub-16 (com nove clubes, todos de Lisboa), outro no escalão Sub-18 (com seis clubes, todos de Lisboa também) e um pomposamente denominado Circuito Nacional de Sevens Masculino Adulto, que de Circuito só teve o nome, já que se tratou apenas de um único Torneio, realizado em Cascais com a participação de 11 clubes, dos quais três do Norte, dois do centro e seis de Lisboa.

Mas o “avacalhamento” não começou no ano passado.

Quem se der ao trabalho de ler o Relatório de 2008, verificará que constam dois Torneios de Sevens Seniores, um em Cascais, o outro em Famalicão.

Mas se estiver interessado em saber o que se passou em Famalicão, vai ficar a saber que…não foram disponibilizados à FPR elementos sobre este torneio! Quer dizer, não esteve lá uma única pessoa da FPR.

Ou seja, a FPR não tem nada a ver com esses torneios, com esse Circuito Nacional de Sevens!

Ou dito de outra forma: Não chateiem, organizem o que quiserem mas, sobretudo não chateiem!

Esta situação não tem explicação, mas tem resultados.

E o mais sério deles, é que, após a eliminação do Mundial de 2011, Portugal não tem absolutamente nada para oferecer à opinião pública, aos Orgãos do Poder Central ou Autárquico, que nos permita continuara ter uma visibilidade semelhante à conquistada nos últimos anos.

Como foi possível deixar acabar o Lisboa Sevens? Não venham com a história de que se tratava de um Torneio particular, pois ainda no tempo em que eu era presidente da sua comissão organizadora, e mais tarde o Pedro Fragoso Mendes, afirmámos que o Lisboa Sevens, há muito deixara de pertencer a um só clube para pertencer ao património do Rugby português.

Deixar morrer um dos maiores Torneios de Sevens do Mundo, que serviu de apuramento para o Mundial de 1997, que arrastou a Portugal, pela primeira vez, a imprensa internacional da modalidade, que nos permitiu observar tantos árbitros internacionais em ação e um sem número de grandes jogadores dos quais apenas referirei Gavin Hastings, Andy Harriman, Eric Rush, Waisale Serevi, Rory Underwood, Mark Thomas e Gary Armstrong foi um acto de enorme prejuízo para o rugby em português.

Abandonar o desenvolvimento da variante ao desgoverno e ao abandono federativo, acabou por conduzir ao descalabro do Campeonato da Europa de 2009, e à desilusão do Campeonato do Mundo do ano passado também.

Impõe-se o lançamento urgente de um plano de desenvolvimento integrado dos sevens ao nível dos clubes, das seleções regionais e das seleções nacionais.

Pensar que é possível acompanhar o ritmo dos nossos concorrentes, a brincar às organizações, é não fazer a mínima idéia do que se passa pelo Mundo fora, do que estão a fazer países como os Estados Unidos, a Rússia, a Argentina, o Quénia, a Ucrânia, o Uruguai, o Chile, o México, o Casaquistão, a Namíbia, a Papua Nova Guiné, Niue, o Japão, a China, as Filipinas, o Brasil…

Já o disse muitas vezes, mas não me calarei, nem me cansarei de repetir: Podem não gostar dos Sevens, mas eles existem, vieram para ficar, são um desporto Olímpico, e nós temos todas as condições para disputar qualquer jogo de igual para igual com as grandes equipas do Mundo!

Ninguém em seu perfeito juízo poderá sequer pensar em cortar a actividade do Rugby de XV, mas isso não impede que se lance um arrojado projecto de desenvolvimento dos Sevens que englobe a organização de Torneios, a preparação de jogadores e a preparação de equipas.

Um projecto ambicioso que leve a prática da variante em termos competitivos às escolas secundárias e às universidades.

Um projecto viável que multiplique o número de rugbistas no país da Europa que tem o menor número de jogadores em relação à sua população.

Um projecto verdadeiramente nacional, envolvendo Federação, Associações Regionais e Clubes, órgãos da Administração Central e Local, Imprensa e Patrocinadores.

Um projecto realista que empurre as nossas equipas representativas para as melhores classificações em todos os Torneios em que participe.

Deixo aqui um apelo aos Delegados à Assembléia Geral, ao Presidente da Federação, aos Clubes e aos Jogadores e Árbitros:

Vamos jogar Sevens, e levar as Quinas à vitória nos Europeus, à Fase Final do Mundial de 2013 e aos Jogos Olímpicos de 2016!

Vocês lembram-se quantos Castelos tem o escudo de Portugal? Sete!

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