PACIÊNCIA, PERSEVERANÇA E HUMILDADE

O TORNEIO DAS 6 NAÇÕES CHEGOU AO FIM, e o Mão de Mestre não podia encerrar este capítulo do ano de 2010, sem trazer a análise de Rui Afonso, de que nos orgulhamos de ter feito a “descoberta”.

O Rui faz parte duma geração que já nasceu com o melão nas mãos, e os seus pontos de vista são uma lufada de ar fresco que promete animar muita discussão durante os jogos internacionais que se avizinham.

Por questões de agenda publicaremos durante a semana a equipa ideal que o Rui seleccionou entre as seis do Torneio.

Hoje a análise da jornada abre com uma citação de Marc Livremont,  a propósito da sua relação com a equipa de França:

“Treinar a equipa francesa ensina-nos paciência, perseverança e humildade”

A derradeira jornada das 6 Nações confirmou o nono Grand Slam francês, ainda que arrancando a ferros a uma Inglaterra combativa. A França venceu em casa por 12-10.

A Irlanda deixou fugir o Triple Crown e foi surpreendentemente batida em casa pela Escócia por 20-23.

No Millenium, Gales venceu facilmente a Itália por 33-10 conseguindo, pela primeira vez no torneio, ir para o intervalo a vencer.

País de Gales – Itália

Desta vez o País de Gales não desapontou em casa, batendo uma Itália feroz na defesa mas incapaz de suster uma ofensiva galesa renovada.

Numa primeira parte em que apenas Stephen Jones foi capaz de pontuar, concretizando quatro penalidades, a Itália fez o que pode para adiar o ensaio galês. O abertura viria a marcar 18 pontos até ao apito final.

Depois de muito ameaçar, Hook marcou por duas vezes aos 52 e 56 minutos, concluindo duas boas jogadas da equipa galesa.

Shane Williams fez o último ensaio galês aos 68 minutos, com um pick and go oportuno depois de um contra ataque da sua equipa.

Os italianos viriam ainda a marcar quando faltavam oito minutos para o fim, com Luke MacClean a protagonizar uma boa jogada individual que deu o ensaio de honra ao conjunto italiano.

Nota positiva para o regresso do formação Mike Phillips: imprimiu grande ritmo ao jogo, assistindo com inteligência os seus colegas. Parece jogar de olhos fechados com Stephen Jones.

Irlanda – Escócia

Poucos apostavam na vitória escocesa fora de portas, naquele que foi o último jogo da equipa irlandesa no lendário Croke Park.

Mas a Escócia jogou concentrada e soube aproveitar os erros do adversário para pontuar através do seu abertura Dan Parks (autor de 18 dos 23 pontos da sua equipa).

Do lado irlandês, Jonny Sexton voltou a desiludir com o seu jogo ao pé, falhando pontos fáceis o que lhe valeu a substituição por O´Gara, que esteve melhor neste capítulo.

A Irlanda foi a primeira a marcar um ensaio, através do inevitável Brian O´Driscoll logo aos dez minutos.

A Escócia não demorou a responder através de um grande ensaio do seu terceira linha centro Beattie que resistiu a três placagens antes de colocar a bola para lá da linha.

Já na segunda parte, Tommy Bowe e O´Gara viriam a empatar a partida, após ensaio do ponta.

Mas Parks resolveu o jogo com a sua bota, com nove pontos nos últimos 15 minutos.

França – Inglaterra

Num encontro pautado pelo equilíbrio, a França controlou o adversário defensivamente e pouco arriscou, ao contrário do que aconteceu nas partidas anteriores.

Os jogadores franceses fizeram o suficiente para derrotar a Inglaterra, sem espectacularidade mas com grande capacidade de sacrifício e concentração do seu pack avançado que, para além de ter cometido poucos erros nas fases estáticas e dinâmicas, foi capaz de ganhar muitas faltas que se traduziram em pontos de Morgan Parra (com nove dos 12 pontos obtidos pela França).

Contudo, os ingleses ainda assustaram a equipa francesa após um ensaio fantástico de Ben Foden logo aos cinco minutos. Foden respondia de forma imediata ao pontapé de ressalto de Trinh-Duc que inaugurou o marcador.

Foi necessário chegar ao último jogo do torneio para se assistir a uma jogada completa dos três quartos ingleses, que surpreenderam os franceses com quatro passes arrebatadores que culminaram no ensaio do defesa, desta vez a aparecer à ponta.

Talvez a acusar a pressão perante o seu público num dia tão importante para o rugby francês, a equipa gaulesa não foi capaz de deslizar correctamente, cometendo um erro defensivo que raramente se viu neste torneio.

Mesmo assim, os franceses foram para o intervalo a ganhar por 12-7 e acabariam por sofrer apenas três pontos na segunda parte, apesar dos esforços da Inglaterra que tudo fez para sair do Stade de France com outro resultado.

Equipa da Jornada

1 – Thomas Domingo (FRA) – Mais uma grande exibição do pilar francês. A França deve-lhe duas penalidades resultantes do seu trabalho na melê, na qual vulgarizou Dan Cole. O pilar inglês foi substituído ao intervalo, prova da superioridade do francês na formação ordenada

2 – Wiliam Servat (FRA) – Fortíssimo em todo o jogo de avançados. Evoluiu ao longo do torneio na introdução de alinhamentos (capítulo onde tinha mais dificuldades) o que o torna, indiscutivelmente, um dos talonadores mais completos da actualidade.

3 – Nicolas Mas (FRA) – Voltou a exibir-se em grande plano. Eficaz em tudo o que lhe compete.

4 – Lionel Nallet (FRA) – Ainda que um pouco indisciplinado, não dá uma bola por perdida e é excelente no alinhamento. Sempre que recorreu à falta, fê-lo cirurgicamente e evitou males maiores para a sua equipa.

5 – Paul O´Connell (IRL) – Apesar das faltas e de algumas falhas no alinhamento, foi o rosto da luta irlandesa. Acreditou sempre na vitória, estando presente em algumas das melhores jogadas da sua equipa.

6 – Joe Worsley (ING) –  Como sempre, impecável a placar e a pressionar o portador da bola.

7- Lewis Moody (ING) – Empolgado com a responsabilidade de capitanear a equipa, o asa fez uma bela exibição, pressionando a equipa contrária com tudo o que tinha. Esteve muito perto do ensaio.

8- John Beattie (ESC) – Marcou um grande ensaio. Sempre perigoso com a bola na mão e eficaz a defender.

9- Mike Phillips (c) (PdG) – Traz uma dinâmica completamente diferente ao jogo ofensivo galês. Distribui muito jogo, no lado aberto e no lado fechado, sempre com passes tensos e tecnicamente perfeitos. Muito oportuno, esteve também perto do ensaio.

10- Dan Parks (ESC) – Impecável no jogo ao pé, foi capaz de superar a pressão até aos últimos momentos do jogo: garantiu a vitória escocesa com a transformação de uma penalidade difícil.

11- Shane Williams (PdG) – Voltou a fazer um grande jogo, marcando um ensaio e criando muito perigo com bons passes.

12- Jamie Roberts (PdG) – A sua boa exibição não salva um torneio em que esteve muito abaixo das suas capacidades. No entanto, tudo lhe correu bem na partida contra a Itália. Defendeu bem, encontrou espaços para impor o seu jogo, assistiu bem os seus companheiros na linha de três quartos.

13- James Hook (PdG) – Voltou a evidenciar-se, ao marcar dois ensaios em menos de cinco minutos. Impressiona pelo seu poder de choque que lhe permite, quase sempre, fugir à primeira placagem.

14- Mark Cueto (ING) – O mais irrequieto e destabilizador dos três quartos ingleses. Arrisca, ataca os espaços, é criativo com a bola na mão. Esteve bem colocado a defender e feliz no jogo ao pé.

15- Ben Foden (ING) – Rapidíssimo. Marcou um ensaio de belo efeito e impressionou com as suas linhas de corrida. A Inglaterra ganha com a sua escolha em detrimento de Armitage.

(c) – A braçadeira de capitão fica com o melhor da jornada.

O Pior da Jornada

Marco Bergamasco – Esteve francamente mal durante o torneio, excepção feita na melhor exibição da sua equipa frente à Escócia, onde foi imperial. No sábado foi expulso após uma falta infantil e mal intencionada, onde podia ter magoado seriamente um colega de profissão.

Veja o quadro dos resultados e a classificação final, aqui

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