SUPER 14 – UMA SUPER COMPETIÇÃO!

A SEGUNDA JORNADA DA SUPER 14 MOSTROU bem o estado do Rugby  no hemisfério sul, e pode justificar a razão do domínio da cena internacional, de uma forma consistente, mesmo quando, ocasionalmente são as equipas do norte a vencer as competições de maior importância.

Este fim de semana, em sete jogos, marcaram-se 52 ensaios – uma média de mais de sete ensaios por jogo.

E teve mesmo um jogo em que se marcaram 18 – sim, dezoito! – ensaios.

Que grande cabazada, vão já dizer. Nada mais errado.

Esses 18 ensaios foram divididos igualmente, nove para cada equipa, e o conjunto derrotado, os Lions, receberam dois pontos bónus! Um por marcar mais de quatro ensaios, e outro por perder por sete pontos de diferença, já que o resultado final ficou pelos 72-65, para os Chiefs.

Curiosamente, e para se fazer idéia do valor das equipas, os Chiefs ficaram na segunda posição na época passada, e os Lions não conseguiram mais que o 12º lugar.

Numa altura em que o tema da reformulação das competições em Portugal está de novo em cima da mesa, o Mão de Mestre espera ter contribuído para a compreensão do que se passa na Europa, ao explicar recentemente, como se desenrolam as competições em França, Inglaterra, País de Gales e Irlanda.

E vamos hoje dar mais algumas informações no mesmo sentido.

Fazemos isso porque em nossa opinião, não basta vir a público agitar certas bandeiras – no caso a fraqueza da nossa Super Bock e a sua falta de competitividade – sem fornecer às pessoas elementos que lhes permitam avaliar a questão, e ajudar a encontrar as melhores soluções para os problemas em pauta.

É claro que temos a nossa própria opinião, e na altura certa tudo faremos para que ela seja ouvida.

Mas até lá continuaremos a ajudar a que, quem nos lê, conheça um pouco mais do que se passa, quais são as diversas opções que foram adoptadas nos diversos países, para que cada um possa formar a sua própria opinião.

Continuar a atirar, aqui e ali, com a questão da qualidade das nossas competições, para mais tarde, eventualmente, surgir uma idéia magnífica, que deixe meio mundo de boca aberta, incapaz de reagir, ou até de compreender, e conseguir a imediata aprovação de mais uma aventura, não é a nossa maneira de fazer as coisas.

Preferimos dar o aparelho de pesca, e esperar que as pessoas o aprendam a usar.

Vem esta conversa a propósito da Super 14, e das equipas que nela participam.

De certo modo como acontece na Irlanda, cada clube/franquia que disputa a competição é um misto de clube no sentido habitual do termo, e de seleção regional, que pode estar associada a mais que uma federação (associação) regional.

Tomemos como exemplo a equipa que depois da segunda jornada, comanda a classificação, os Bulls.

Equipa sul africana, baseada em Pretória, representando a Blue Bulls Union – Pretória mais Província de Limpopo, recolhendo ainda jogadores da East Rand Union – e apresentando uma equipa na Super 14, os Bulls, e outra na Currie Cup, com o nome de Blue Bulls.

Mas podemos ver o que se passa com os últimos classificados, a equipa australiana dos Western Forces, e verificamos que ela reúne jogadores das áreas de Perth, Mandurah, Bunbury e Kalgoorlie, deixando os jogadores das outras áreas, para as outras equipas.

Ou seja, quer uma quer outra, são equipas representativas de associações regionais, geridas com independência, mas mantendo a busca pelos melhores jogadores da sua área de influência.

Os mais interessados poderão consultar detalhes da Super 15 – já que à Super 14 foi acrescentada mais uma equipa a partir do próximo ano – aqui.

Verificamos assim que enquanto em Inglaterra e França, a força do Rugby reside nas competições dos clubes tradicionais – Top 14 em França, Guiness Premiership, em Inglaterra – nos países do sul, essa força reside nas seleções regionais, administradas como clubes, através da participação numa competição internacional, a Super 14, e em competições internas na África do Sul – Currie Cup e Vodacom Cup – e na Nova Zelândia – Air New Zealand Cup e Heartland Championship.

Na Austrália não existem competições nacionais de Rugby, apenas competições regionais.

Conclui-se portanto, que é possível ter êxito quer através das competições de clubes, onde se pode partir do zero até ao topo, apenas por mérito próprio, quer através de super equipas, com base nas associações regionais, sem que as equipas necessitem de competir entre si, para chegarem ao topo.

Claro está que esta diferença de opção, tem efeitos na escolha das seleções nacionais, e da sua capacidade competitiva.

Mas ambas tem uma coisa em comum: uma enorme base de praticantes!

Confira os resultados e a classificação da Super 14, à segunda jornada.

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