6 NAÇÕES – ANÁLISE DA JORNADA

DOIS GRANDES JOGOS MARCARAM A SEGUNDA JORNADA das 6 Nações, com a França a dizimar em casa a Irlanda por expressivos 33-10, e Gales, numa fantástica recuperação que desta vez deu frutos, a vencer uma Escócia surpreendente que dominou o jogo na primeira parte.

Os Galeses marcaram 17 pontos em três minutos (mais dois de prolongamento), estabelecendo o resultado em 31-24.

No jogo de domingo, a Inglaterra teve alguma dificuldade em superar a Itália, ganhando fora por 12-17.

Até aos primeiros 25 minutos, o embate entre França e Irlanda esteve equilibrado.

Notava-se a vantagem dos franceses na formação ordenada e uma maior estabilidade no alinhamento irlandês. A França defendia em conjunto de forma agressiva e não permitia espaços à equipa irlandesa.

Depois da expulsão provisória de Healey e do primeiro ensaio de Servat tudo mudou: sucederam-se magníficas jogadas à mão pela parte dos franceses, criadas a partir da enorme superioridade do seu cinco da frente, tanto nas fases estáticas como nas dinâmicas.

A terceira linha gaulesa teve igualmente um papel fundamental pelas bolas recuperadas ao adversário e pela vantagem numérica que proporcionou aos três quartos.

A equipa francesa marcou três ensaios (e aproveitou quase todas as conversões e penalidades) contra apenas um da Irlanda que, numa ocasião rara durante o encontro, foi capaz de surpreender a linha adversária numa jogada conduzida pelo inevitável O´Driscoll.

No Millenium Stadium, em Cardiff, registou-se um encontro completamente diferente.

Previa-se uma vitória segura da equipa da casa, mas tudo correu mal aos galeses no primeiro tempo.

A Escócia entrou galvanizada e com muitas das suas falhas corrigidas em relação ao jogo com a Inglaterra (excepção feita à formação ordenada).

O regressado Dan Parks trouxe grande dinâmica ofensiva ao jogo escocês, com 12 pontos marcados (seis através de pontapés de ressalto) e muitas oportunidades criadas pela profundidade do seu jogo ao pé.

A terceira linha escocesa esteve também em evidência, apoiando o ataque com preponderância e defendendo bem.

Na segunda parte, porém, o País de Gales tudo fez para inverter o rumo dos acontecimentos.

Ainda que desorganizados inicialmente, conseguiram pressionar os escoceses de tal forma que estes tiveram que recorrer sistematicamente à falta para suster o fulgor galês.

Acabaram a jogar apenas com 13 elementos, permitindo uma recuperação histórica nos últimos minutos de jogo.

No Domingo, a Inglaterra deslocou-se a Roma para defrontar uma Itália fragilizada pela derrota na primeira jornada. Mas voltou a não convencer.

Num jogo monótono, mal jogado, com muitos pontapés sem resultados práticos, houve sobretudo espaço para um combate equilibrado entre os avançados de parte a parte.

De registar o mau jogo de Wilkinson, que esteve azarado nas transformações (ainda que seja dele a estocada final, com mais um drop de pé direito que já valeu um título mundial), a falta de criatividade atacante do conjunto inglês, e a combatividade da equipa italiana que, sem grandes brilhantismos, foi capaz de estar em jogo quase até ao apito final.

(Esta má exibição de Wilkinson pode mesmo custar-lhe o lugar para a próxima jornada.NdR)

Equipa da Jornada

1- Thomas Domingo (FRA) – Melhor ainda que na primeira jornada. Decisivo na subjugação da formação ordenada irlandesa, vulgarizou o experiente John Hayes. Numa luta pungente entre os dois conjuntos de avançados, foi o único jogador da primeira linha a aguentar os 80 minutos. Ajudou a conquistar muito território e muitas faltas aos irlandeses.

2- Dimitri Szarzewski (FRA) – Entrou bem no jogo. Melhorou o alinhamento, fez várias placagens espectaculares e esteve muito participativo nos rucks. A sua rapidez e energia impressionam.

3- Adam Jones (PdG) – Voltou a ser o melhor primeira linha em campo. Visivelmente mais desgastado, teve alguma dificuldade em acompanhar o jogo em alguns momentos. No entanto, sempre que esteve presente foi decisivo pela inteligência e colocação a garantir a conquista da bola.

4- Leo Cullen (IRL) – O melhor dos avançados irlandeses. Longe da perfeição, esteve bem nos alinhamentos e muito lutou contra a superioridade francesa.

5- Alun Wyn Jones (PdG) – Emocionado com a benevolência de Gatland e com grande sentido de responsabilidade, regressou à sua melhor forma. Impecável na disponibilidade defensiva e na qualidade de passe.

6- Thierry Dusautoir (FRA) – Nunca joga mal. É um dos jogadores com melhor noção do seu papel em campo do rugby actual. Não tira os olhos da bola.

7- John Barclay (ESC) – Fez uma primeira parte de luxo, não só pelo ensaio, mas pela forma como esteve envolvido no jogo ofensivo da equipa. Um dos melhores em campo.

8 – Imanol Harinordoquy (FRA) – Muito agressivo, tanto a atacar como a defender. Um dos terceiras linhas que mais desequilibra pela forma como apoia os três quartos e como consegue ganhar muitos metros com a bola na mão.

9 – Morgan Parra (c) (FRA) – O seu melhor jogo pelos gauleses. Imprevisível e criativo. Grande fluidez de passe, rapidíssimo a ler o jogo, a decidir (bem) e a comandar os avançados. Soube colmatar as suas falhas de posicionamento, entregando-se aos rucks e mauls quando necessário. Esteve muito bem no jogo ao pé e ainda concretizou um pontapé de ressalto de grande dificuldade. A exibição da jornada.

10 – Francois Trinh-Duc (FRA) – Outro dos heróis do Stade de France. Circulou muito bem a bola, impondo grande ritmo ao jogo. Consistente, foi efectivo defensivamente e proporcionou, quer ao pé, quer à mão, grandes jogadas ofensivas.

11- Shane Williams (PdG) – Mesmo antes de se tornar o protagonista da recuperação, foi sempre dos mais inconformados. Teve pormenores brilhantes, assistindo os colegas com grande classe. Não virou a cara à luta e só podia ser ele a marcar o ensaio nos descontos.

12- Yannick Jauzion (FRA) – Marcou um ensaio. Joga com calma e inteligência, encontra espaços e parece sempre tomar a melhor opção, tanto a atacar como a defender.

13- Mathieu Bastareaud (FRA) – O jogo da confirmação. É implacável num um para um, sobretudo porque sabe usar a vantagem do seu poderio físico. Foi menos egoísta e, por isso, jogou melhor.

14- Leigh Halfpenny (PdG) – Perigoso a atacar e muito consistente tacticamente. Está quase sempre bem posicionado. Marcou um ensaio fundamental para a recuperação galesa.

15- Luke McLean (ITA) – Apesar de algumas falhas a defender, arriscou quando foi preciso e conseguiu criar espaços para atacar. Tornou a equipa menos aborrecida coisa que, aparentemente, só o capitão Parisse sabe fazer.

(c) – A braçadeira de capitão fica com o melhor da jornada.

O Pior da Jornada

Ronan O´Gara (IRL) – Na realidade, não foi quem pior jogou. Mas, num encontro decisivo, voltou a acusar a pressão quando se exigia todo o seu talento para combater a equipa francesa. Não aproveitou a capacidade dos seus centros e esteve desastrado no passe.

Resultados da jornada:

França 33 – Irlanda 10

País de Gales 31 – Escócia 24

Itália 12 – Inglaterra 17

Próxima jornada:

6ª feira, 26 FEV 2010

País de Gales – França

Sábado, 27 FEV 2010

Itália – Escócia

Inglaterra – Irlanda

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